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Este microbook é uma resenha crítica da obra:
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Editora: 12min Originals
Por quase trinta anos, o Japão manteve uma política monetária única no mundo: juros próximos de zero ou até negativos. Entre dois mil e dezesseis e março de dois mil e vinte e quatro, o país operou com taxas negativas. Investidores recebiam retorno por tomar empréstimos do governo japonês.
A razão: deflação prolongada. Enquanto outros países combatiam inflação, no Japão os preços caíam ano após ano. Consumidores adiavam compras esperando preços mais baixos. Empresas vendiam menos, ajustavam equipes, a atividade econômica desacelerava. O Banco do Japão apostou que juros ultrabaixos estimulariam gastos, investimentos e consumo, reaquecendo a economia.
Investidores globais identificaram essa oportunidade. Tomavam recursos emprestados no Japão a custo zero e aplicavam em mercados com retornos mais altos. Essa estratégia movimentou cerca de quatro trilhões de dólares distribuídos em ações, títulos, criptomoedas e imóveis globalmente.
Agora, em dezembro de dois mil e vinte e cinco, o Banco do Japão elevou sua taxa para zero vírgula setenta e cinco por cento ao ano. O maior nível em trinta anos. Embora modesta comparada aos quinze por cento da Selic brasileira, essa mudança está gerando efeitos em cadeia nos mercados financeiros globais.
O "carry trade" funciona assim: toma-se recursos emprestados em país com juros baixos e investe-se em país com juros altos. A diferença entre custos e retornos gera lucro.
Exemplo prático: um fundo toma emprestado cento e sessenta milhões de ienes no Japão pagando zero vírgula um por cento ao ano. Converte em um milhão de dólares e compra títulos do Tesouro americano rendendo cinco vírgula cinco por cento. Após doze meses, o retorno é significativo.
O risco principal: valorização do iene. Se o iene se mantém estável em relação ao dólar, o retorno se concretiza. Mas se o iene se valoriza substancialmente, quando os dólares são convertidos de volta para quitar o empréstimo, o resultado pode ser prejuízo.
Essa estratégia se tornou tão popular que analistas estimam operações envolvendo o iene movimentam os quatro trilhões de dólares mencionados. Muitas posições utilizam alavancagem, com investidores usando capital emprestado superior ao capital próprio. Pequenas mudanças nas taxas geram impactos ampliados.
Em trinta e um de julho de dois mil e vinte e quatro, o Banco do Japão elevou sua taxa de zero vírgula um para zero vírgula vinte e cinco por cento ao ano. A primeira alta em dezessete anos.
Cinco dias depois, a bolsa japonesa caiu doze vírgula quatro por cento. A maior queda desde mil novecentos e oitenta e sete. O iene valorizou dois vírgula um por cento em um dia. Mercados globais reagiram: Europa recuou dois vírgula cinco por cento, futuros americanos caíram quatro por cento. No Brasil, o dólar chegou a cinco reais e oitenta e dois centavos.
O fenômeno: ajuste rápido de posições de carry trade. Investidores com passivos em ienes venderam ativos em outras moedas para cobrir posições antes que a valorização do iene aumentasse seus custos. Quando muitos fazem movimentos similares simultaneamente, os preços caem rapidamente e o efeito se propaga.
O Banco do Japão rapidamente esclareceu que novos aumentos não estavam previstos no curto prazo. Os mercados se acalmaram. Mas o alerta estava dado.
O governador Kazuo Ueda indicou: se a economia continuar se recuperando e a inflação persistir acima da meta de dois por cento, novos aumentos são possíveis. Analistas projetam a taxa chegando a um por cento até setembro de dois mil e vinte e seis.
A reação dos mercados revelou uma dinâmica interessante. Os rendimentos dos títulos japoneses de dez anos subiram para dois vírgula zero um nove por cento, o maior nível desde mil novecentos e noventa e nove. Mas ao contrário do esperado, o iene se desvalorizou para cento e cinquenta e sete por dólar após o anúncio.
Normalmente, quando um país aumenta juros, sua moeda se valoriza. Neste caso, investidores estão reposicionando trilhões. Alguns ajustaram carry trades antecipadamente. Outros avaliam se o Banco do Japão continuará elevando juros considerando os efeitos nos mercados. Essa incerteza sobre a trajetória futura pesa mais que a taxa atual.
A situação global apresenta movimento inédito: enquanto o Japão eleva juros, o Federal Reserve americano os reduz.
O Fed cortou sua taxa básica para entre três vírgula cinco e três vírgula setenta e cinco por cento. Essa convergência afeta diretamente o carry trade. A diferença entre juros japoneses e americanos sustentava a estratégia. Com a diferença diminuindo, a atratividade se reduz e investidores realocam capital.
O Banco do Japão enfrenta pressões internas: a inflação japonesa está acima da meta de dois por cento há quarenta e quatro meses consecutivos. O iene desvalorizado eleva custos de importações. O governo sinalizou compromisso com controle inflacionário.
Aumentos muito rápidos podem gerar ajustes significativos no carry trade global. O estrategista Albert Edwards observou que essa dinâmica pode causar realocação significativa de ativos dos Estados Unidos.
Para o Brasil, com Selic em quinze por cento ao ano, a estratégia de carry trade utilizava recursos tomados a baixo custo no Japão aplicados a taxas elevadas. Com o Japão elevando juros e o Fed reduzindo, o diferencial se ajusta. O mercado projeta dólar acima de seis reais para dois mil e vinte e cinco e dois mil e vinte e seis.
O dólar funciona como elo nos mercados globais. É a moeda de referência para commodities e reservas de muitos países. Variações afetam economias globalmente.
Em dois mil e vinte e quatro, o real apresentou desvalorização significativa. Em dois mil e vinte e cinco, oscilou entre cinco e seis reais e vinte centavos. Essa variação afeta planejamento empresarial: importadores enfrentam incerteza sobre custos, exportadores sobre receitas, bancos ajustam spreads cambiais para administrar risco.
Volatilidade cambial pressiona inflação. Produtos importados encarecem, insumos industriais sobem, combustíveis aumentam. Para administrar inflação, bancos centrais ajustam juros. Juros elevados afetam crédito, investimento e consumo. Atividade econômica pode desacelerar.
Cenário Um: Ajuste Gradual
O Banco do Japão eleva juros muito gradualmente. Mercados têm tempo para ajustar posições de forma ordenada. Volatilidade ocorre mas é administrável. Bancos centrais coordenam políticas. Ajustes ocorrem sem grandes perturbações. Este é o cenário considerado mais provável por analistas.
Cenário Dois: Volatilidade Moderada
O Banco do Japão continua elevando juros, causando episódios similares a agosto de dois mil e vinte e quatro. Alguns fundos enfrentam dificuldades, mercados apresentam quedas de quinze a vinte por cento, bancos centrais intervêm. Desaceleração em algumas economias com recuperação em doze a dezoito meses.
Cenário Três: Volatilidade Severa
Algum choque adicional - geopolítico, financeiro, ou erro de política - desencadeia ajustes intensos no carry trade. Vendas intensas, dificuldades para fundos alavancados, efeitos em cascata. Volatilidade elevada, quedas significativas em mercados globais, desaceleração econômica. Bancos centrais intervêm com medidas de liquidez. Recuperação mais prolongada.
Três elementos caracterizam o momento:
Alavancagem: Operações de carry trade utilizam capital emprestado superior ao capital próprio. Pequenas mudanças geram impactos ampliados.
Interconexão: A economia global está altamente integrada. Mudanças em uma região afetam rapidamente outras.
Mudança na Liquidez: Desde dois mil e oito, mercados operaram com liquidez abundante fornecida por bancos centrais. Essa dinâmica está se ajustando. Mercados se adaptam a condições diferentes.
Para quem acompanha esses desenvolvimentos:
Diversificação: Distribuir investimentos entre diferentes ativos e moedas. Incluir dólar, real, ativos reais, renda fixa e ações.
Monitoramento: Dois mil e vinte e cinco e dois mil e vinte e seis podem apresentar volatilidade cambial elevada. Quem tem compromissos em dólar pode considerar proteção. Quem planeja importações pode se antecipar.
Reservas: Em períodos de ajustes econômicos, ter reservas maiores que o habitual pode ser prudente. Doze meses de despesas em vez de seis.
Perspectiva de Longo Prazo: Volatilidade faz parte dos ciclos. O importante é manter perspectiva e evitar decisões baseadas em reações emocionais de curto prazo.
Indicadores-Chave: Observar decisões do Banco do Japão, rendimentos de títulos japoneses e trajetória do iene. Mudanças rápidas no iene podem sinalizar ajustes nos mercados.
A economia global passa por período de ajustes significativos. Pela primeira vez em décadas, o Japão normaliza sua política monetária após experimento que durou quase trinta anos.
Essa normalização é considerada apropriada para a economia japonesa no longo prazo. No curto prazo, está gerando reorganização nos fluxos de capital global. Trilhões de dólares estão sendo realocados.
O dólar, como moeda de referência, reflete essas mudanças. Bancos centrais globalmente buscam equilibrar objetivos: controlar inflação, manter atividade econômica e preservar estabilidade financeira.
A situação apresenta interesses múltiplos. De um lado, a necessidade do Japão de normalizar sua economia. De outro, considerações sobre estabilidade dos mercados globais. No meio, trilhões de dólares, milhões de empregos e dinâmicas econômicas globais.
Os desenvolvimentos futuros dependerão de múltiplas variáveis. A próxima reunião do Banco do Japão está marcada para vinte e dois e vinte e três de janeiro de dois mil e vinte e seis. Analistas da T Rowe Price estimam que o banco pode aumentar as taxas duas vezes em dois mil e vinte e seis se as taxas reais continuarem profundamente negativas.
Os próximos doze a vinte e quatro meses serão determinantes para observar essas dinâmicas. Compreender esses mecanismos permite melhor preparação e decisões mais informadas nos mercados financeiros e na gestão econômica pessoal.
Os ajustes estão em andamento. O mundo não tira os olhos do Japão.
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